Three Cute Cherries
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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Logística e argentinos limitam o cultivo da cevada no Brasil

A agricultura brasileira dispõe de cultivares e tecnologias para produzir cevada no cerrado o que poderia tomar a cadeia produtiva da cultura autossuficiente, de acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Porém, como não há viabilidade logística para que isso aconteça a maltaria mais próxima está em Taubaté (SP), a indústria da cerveja e do malte segue dependente de importações.
Segundo o pesquisador Euclydes Minella, da Embrapa Trigo, a concentração do segmento cervejeiro e a isenção de impostos do Mercado Comum do Sul (Mercosul), posto que a Argentina é a maior fornecedora do cereal para o Brasil, desestimularam a produção nacional. Outro fator impeditivo é o clima: a umidade tropical atrasa o germinar da cevada (que, para ser transformada em malte, obedece a um padrão mínimo de germinação de 95%).
Concentrada no Paraná e no Rio Grande do Sul, a produção brasileira de cevada deve ocupar 105 mil hectares neste ano, resultando em 300 mil toneladas do cereal. Nas maltarias (há somente três no País, e uma em construção), o volume é estimado em 460 mil toneladas 160 mil com base em matéria-prima importada. Contudo, as fábricas de cerveja consomem 12 milhão de toneladas do produto-base. Precisam trazer de fora, portanto, aproximadamente dois terços do total.
E, em breve, precisarão ampliar o nível de Importações, pois a Ambev indústria-mor do segmento, um caso típico de “campeão nacional" pretendido pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está para Inaugurar a quarta maltaria brasileira em Passo Fundo (RS).
“Muitos produtores estão saudosos de plantar cevada. Hoje, a cadeia é fechada: todo mundo planta sob contrato”, afirmou Minella “Já tivemos 150 mil hectares plantados no Brasil", lembrou. A cadeia, sem contar a indústria, movimenta R$ 250 milhões.
Possibilidades
“Existe uma possibilidade muito grande de o Brasil suprir sua própria demanda por cevada e malte. Mas a autossuficiência é difícil", analisou Minella. E “existe a possibilidade de se plantar cevada no cerrado, mas hoje é economicamente inviável, por causa do frete", ponderou.
Outras possibilidades para a cultura são os destinos dados a seu consumo. No País, o cereal é dedicado à fabricação de cerveja. Entretanto, no mundo, 70% do volume são  utilizados na alimentação animal, segundo o especialista. “O momento está mudando, em potencialidade, para o uso da cevada no Brasil. Para o gado leiteiro, o cereal é superior a outros grãos”, disse Minella. 
Em sua análise, a cevada-ração deve ser complementar à cultura do milho. Como é plantada geralmente entre maio e outubro, tem jeito de ser colhida anteriormente à semeadura do milho (entre setembro e outubro). Além disso, o milho vive sujeito à reação dos produtores diante dos preços que, quando baixam, provocam redução de área plantada e vice-versa.
“Como o preço do milho está valorizado, o pessoal começa a buscar alternativas. É um bom momento para incentivar o uso da cevada na cadeia do leite", afirmou o pesquisador da Embrapa. Segundo ele, o preço do cereal é atrelado às cotações do trigo.
Ainda outra possibilidade para o cereal é a do uso forrageiro: quando a semente da cevada não germina a nível útil (95%) para a indústria cervejeira, pode-se encaminhá-la para silos e forrageiras. Neste caso, o valor do produto equivale a 80% do preço do milho.
Por Bruno Cirillo - Seção Agronegócios / DCI
Fornecedor: Lupa Clipping
Por: Jornal DCI

Cerveja poderá ter sabor de mel e fruta

O conceito do que é cerveja está prestes a mudar oficialmente. Nesta quarta-feira, 22, o Ministério da Agricultura abriu consulta pública, por 60 dias, para um texto que deverá incluir dentro da categoria produtos que tenham em sua composição também "sabores" como mel, frutas, ervas e até leite.
A mudança na legislação atende a uma antiga reivindicação das microcervejarias, que respondem por 1% do mercado brasileiro de cerveja e, pelas regras atuais, não conseguem classificar alguns produtos como cerveja. ê uma resposta também a uma tendência de mercado, já que a bebida com sabor está nos bares e no varejo, mas não pode se assumir como cerveja, tendo de recorrer a subterfúgios como "bebida mista".
A tendência de adição de sabores à cerveja já chegou às gigantes do mercado brasileiro. No fim do ano passado, a Cervejaria Heineken fez da Kaiser Radler, que tem suco de limão em sua fórmula, um de seus produtos carro-chefe para o verão.
De acordo com Marcelo Carneiro, presidente da Associação Brasileira de Microcervejarias (ABM) e da Cervejaria Colorado, o número de lançamentos de produtos saborizados no mercado deve aumentar com a mudança na legislação. Ele diz que o reconhecimento das bebidas saborizadas feitas de malte como cerveja é uma reivindicação antiga das cerca de 350 microcervejarias brasileiras. A regra atual, embora seja relativamente recente, de 2009, sequer menciona o produto com adição de sabores.
Carneiro diz também que a mudança - que só deve entrar em vigor em 2015, pelos cálculos da associação - também viria para corrigir um descompasso em relação à concorrência com produtos saborizados importados, que já chegavam ao País identificados como cerveja.
- Antes o Brasil podia importar cerveja de fruta, mas não podíamos fabricar. A nova regulamentação repara essa injustiça - ressalta o empresário.
Outra questão que causava expectativa no mercado era relativa ao teor de malte por adjuntos cervejeiros não será alterada pela proposta do Ministério da Agricultura. O limite para mistura dos chamados "aditivos cervejeiros" - com o uso de cereais como milho e arroz, que seriam uma opção de corte de custos - continuará em 45%. Circulavam informações no mercado de que haveria interesse de grande cervejarias em aumentar esse porcentual para 50%.
Procurada, a Ambev, que domina cerca de 70% do mercado nacional, negou que esteja envolvida em qualquer campanha para aumentar o teor de outros cereais aos produtos. A empresa também afirmou que o teor de malte exigido no Brasil está em linha com os padrões internacionais.
Outra regra incluída no novo padrão para a produção de cerveja brasileira é a proibição de adição de álcool ao produto (além do produzido pelo próprio processo de fermentação do lúpulo).
A CervBrasil - entidade que reúne as fabricantes de cerveja no País - não quis comentar os detalhes da proposta, mas afirmou que o novo marco regulatório representa "um passo necessário à inovação do setor".
Fonte: Jornal de Santa Catarina em 23 de janeiro de 2014