Three Cute Cherries
Mostrando postagens com marcador China. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador China. Mostrar todas as postagens

sábado, 4 de janeiro de 2014

Chineses agora financiam e exportam soja brasileira

Com sua exuberância de capital, experiência em logística e mão de obra treinada e barata, os chineses organizaram a produção e escoamento de minérios e alimentos na África na década passada de maneira a sustentar seu crescimento econômico, que já exauriu seus recursos naturais. Agora, estão tentando aplicar esse modelo no Brasil.
Em sua penosa curva de aprendizagem, "os chineses estão entendendo que aqui não é a África", observa Marcelo Duarte Monteiro, diretor executivo da Aprosoja, que reúne os produtores de soja e milho do Mato Grosso. Ele esteve quatro vezes na China e perdeu a conta de quantas delegações chinesas recebeu em Cuiabá.
Inicialmente, eles chegaram com a mentalidade de comprar terras e plantar soja, de maneira a assegurar seu abastecimento. Visitaram o sul de Goiás e o Mato Grosso, mas resolveram fixar-se no Oeste da Bahia. O governo baiano abriu escritório em Pequim em 2011.
Recuo
A compra de cerca de 20 mil hectares pela Universo Verde, filial brasileira da Chongqing Grãos, suscitou advertência da Advocacia Geral da União, e uma portaria interministerial, em setembro de 2012, regulamentando a aquisição de terras por estrangeiros. Enquanto eram obrigados a recuar de seu plano de adquirir terras, os chineses perceberam que os produtores locais têm não só uma longa experiência com a adaptação da soja à região - muito diferente das altas latitudes chinesas, de onde o grão é originário -, mas também capacidade de atender um aumento de demanda.
Passaram então a firmar parcerias com agricultores da região de Barreiras, no Oeste da Bahia. Agora seu capital está sendo aplicado na compra de sementes, fertilizantes e implementos agrícolas, que entram como moeda na venda antecipada da produção. Depois de ouvir a Associação de Irrigantes e Produtores da Bahia (Aiba), a Universo Verde decidiu investir em uma planta de esmagamento de soja em Barreiras. A terraplanagem da área onde ela será erguida já está feita. Arredios, os chineses preferem não falar do assunto.
A China tem excedente de capacidade de esmagamento. Comercialmente, faz mais sentido importar a soja em grão do que em óleo ou farelo. O projeto da planta de esmagamento indica o interesse de fornecer parte desses derivados para os mercados do Brasil e de outros países. As americanas Bunge e Cargill já têm plantas de esmagamento na Bahia. A da Universo Verde criará mais concorrência para os produtores venderem sua soja, aumentará o valor agregado na economia local e gerará entre 500 e 800 empregos diretos, de acordo com Jairo Vaz, superintendente de Política de Agronegócios da Secretaria de Agricultura da Bahia. "Os chineses estão mapeando o Oeste da Bahia para instalar silos e armazéns para captação de grãos e suprimento da fábrica."
Logística
Hoje, a produção do Oeste da Bahia segue em caminhões para os portos de Santos e Paranaguá, o que encarece muito o seu custo. Mas a expectativa é que daqui a alguns anos ela possa seguir no sentido contrário, por meio das novas ferrovias que interligarão o oeste e o leste aos portos do norte e nordeste, mais próximos dos mercados dos EUA, da Europa e da China. A Universo Verde prevê a construção de um "porto seco", que receberá os caminhões com os grãos, o óleo e o farelo.
A curva de aprendizagem na logística tem sido acentuada. Os chineses chegaram com a experiência da África, onde suas construtoras firmam contratos com os governos, trazem navios com seus operários, constroem rodovias, ferrovias e portos, vinculam esses investimentos com o fornecimento de minério de ferro, petróleo e outros recursos naturais. E pronto. No Brasil, encontraram um ambiente bem mais complexo: grandes construtoras com vasta experiência internacional, mão de obra local, decisões políticas descentralizadas em Estados e municípios, licenças ambientais e agências reguladoras.
"É muito difícil no Brasil", suspira Li Tan, do grupo chinês Hopeful, que planeja investir R$ 400 milhões em um terminal no porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina. "Muito longo, muito complicado para aprovar. É muito mais fácil fazer isso na China." O projeto começou em 2007. Está na fase da licença ambiental. Depois de muitas revisões no prazo, a empresa espera que esteja pronto em dois anos. "É bom proteger o meio ambiente", diz. "A situação do meio ambiente na China é horrível. Pensar no meio ambiente no início é muito bom. Vocês devem fazer isso. Mas a papelada é muito difícil. Toma muito tempo para concluir o processo."
Li, que está baseado no Estado americano de Iowa, diz que "os Estados Unidos também têm essas regulações, mas o processo está se acelerando e é bem regulado". Em contrapartida: "Às vezes o mercado brasileiro não é bem regulado, você não consegue acompanhá-lo. Você prepara um documento, e dizem: não é esse, é aquele outro. Você faz o outro e dizem que também não é esse, mas um outro. Algumas coisas não são claras."
O negócio do grupo é esmagar soja importada dos EUA, Brasil e Argentina. Do Brasil, importa hoje 1,5 milhão de toneladas por ano. Seu terminal terá capacidade de 8 milhões de toneladas por ano. "Os chineses buscam o Brasil não mais para abastecer a China, mas como mercado consumidor importante, e plataforma de exportação para a região", diz Sergio Amaral, ex-ministro do Desenvolvimento e presidente do Conselho Empresarial Brasil-China. 

Fonte: Jornal Brasília em 2 de janeiro de 2014 

domingo, 15 de dezembro de 2013

Segurança alimentar, tecnologia e exportação de milho reúnem líderes brasileiros e autoridades na China

Representantes da Maizall Alliance – aliança formada pelas principais associações de produtores de milho do Brasil, Estados Unidos e Argentina – estiveram na China para a primeira visita oficial do grupo. O objetivo é fortalecer o relacionamento com as autoridades chinesas ao abordar temas como aumento da produtividade, segurança alimentar, biotecnologia e barreiras regulatórias e comerciais do milho no mundo.
Participaram da visita o presidente da Abramilho e ex-ministro da Agricultura, Alysson Paolinelli, e o vice-presidente e representante da entidade na aliança, Sergio Bortolozzo. Na ocasião, eles estiveram em um evento sobre segurança alimentar e tecnologia, para apresentar como cada país da Maizall Alliance evoluiu na adoção e regulamentação de produtos biotecnológicos. Além disso, se reuniram com autoridades chinesas para discutir questões referentes ao processo de exportação do cereal.
“É muito importante que os maiores produtores do mundo estejam unidos nesse momento pensando no futuro do setor. A troca de informações é um fator disciplinador, que desmoraliza os radicais”, explica Paolinelli.
Cenário favorável para o milho brasileiro
Para Paolinelli, a viagem à China aconteceu em um momento positivo para o milho brasileiro. Recentemente, o governo firmou um acordo com a China para exportação do cereal, no qual poderá vender o equivalente a U$S 4 bilhões, ou 10 milhões de toneladas, para o país asiático. “O Brasil caminha para se tornar um dos maiores fornecedores do produto para a China. Esse acordo melhora muito a condição do Brasil como exportador e dá condições para o produtor brasileiro trabalhar. Ligamos para o ministro Antonio Andrade para agradecer e elogiar a iniciativa”.
Além disso, o governo brasileiro estabeleceu o Memorando de Entendimento entre o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e o Ministério da Agricultura chinês, que criou o Grupo de Trabalho Conjunto sobre Biotecnologia Agrícola e Biossegurança. O Memorando assinado prevê a regulamentação de biossegurança e biotecnologia, procedimentos e critérios para a avaliação de risco e mecanismos de aprovação de OGMs, status de aprovação e regulamentação pós-aprovação, entre outros, que tem por objetivo trazer maior previsibilidade e clareza ao longo do processo regulatório chinês de novos eventos biotecnológicos.
O Brasil elevou sua produção de milho em cerca de 60% nos últimos 10 anos, e atingiu um recorde acima de 80 milhões de toneladas na safra 2012/13. Sergio Bortolozzo destaca que esse resultado não seria possível sem a adoção da tecnologia nas lavouras. “82% da área plantada com tecnologia avançada gera 97% da produção de milho no Brasil. Os 18% da área restante representam somente 3% da produção. Isso mostra, claramente, a importância da tecnologia para atingir a alta produtividade”, reforça.
A biotecnologia vem apresentando crescimento acentuado no Brasil. Nas duas últimas safras de milho representou uma média de 76,1% das lavouras. “Somos privilegiados por poder realizar duas safras anuais. O Brasil já pode se considerar um dos grandes abastecedores mundiais de milho”, finaliza Bortolozzo.
Fonte: Abramilho

Segurança alimentar é preocupação do governo

O secretário de política agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Neri Geller, participou nesta sexta-feira na China, do fórum sobre segurança alimentar e tendências globais de produção. O evento contou com a participação dos principais representantes do agronegócio mundial, entre eles o vice-ministro da Agricultura da China, Niu Dun. Neri Geller ressaltou o trabalho intenso do governo brasileiro em desenvolver mecanismos eficientes para resolver os problemas de segurança alimentar, tendo em vista que o país tem exportado cada vez mais seus produtos. “Somos produtores de grandes excedentes de produção do mundo, desde carne bovina, café, açúcar, soja e milho. Frisando que hoje o Brasil é o segundo maior exportador de milho”, disse o secretário.
Neste ano safra 2013/14, a China deve importar sete milhões de toneladas de milho – a perspectiva apresentada durante o evento é de que esse valor alcance 42 milhões de toneladas em 2030.
Além do milho, a soja brasileira é de extrema importância para o mercado do país asiático. De janeiro a outubro, o Brasil exportou 42,1 milhões de toneladas de soja em grão e a China foi o principal destino do produto brasileiro, adquirindo, do total, 32,018 milhões de toneladas.
Durante o evento, também foram discutidos temas como o desenvolvimento sustentável e potencial de produção alimentar da China, qualidade e segurança das novas tecnologias científicas avançadas de segurança alimentar, bem como sobre a nova urbanização e demanda alimentar na China.
Fonte: Portal do Ministério da Agricultura - MAPA